segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

raízes

Meu avô materno nasceu em Portugal, numa vila chamada Santa Leocádia, município de Tabuaço, pertencente ao distrito de Viseu. Chegou ao Brasil com 18 anos. Despediu-se dos pais. Nunca mais os encontrou. Teve três irmãos, um mora em São Paulo, o outro permanece em Viseu e a irmã mora na Suíça. Depois da partida, com exceção do irmão mais velho, meu avô só reencontrou o outro irmão uma vez, e a irmã, apenas por carta. A visita ao irmão que ainda mora em Viseu aconteceu em 1990. Eu tinha cinco anos e lembro-me de quando ele e a minha avó anunciaram que iriam viajar para a Europa. Até se aposentar, meu avô trabalhou como motorista e cobrador de ônibus da extinta CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), que deu lugar à SPTrans. Depois da aposentadoria, continuou trabalhando como taxista. Era europeu, mas não teve a oportunidade de conhecer as belezas do continente. Por isso, a viagem-presente, encheu-lhe de orgulho lusitano. Viajou pouco mais de um mês e, quando voltou ao Brasil, trouxe muita história, lembranças e mais saudade daqueles que ficaram. Minha avó também ficou encantada. Nascida no interior de São Paulo, foi criada num sítio entre galinhas, patos, horta e família grande. " Quando você crescer, vamos te levar para Portugal", dizia ela. A noção que eu tinha da Europa era de um lugar bonito e distante da minha casa. Eu sabia que aquela promessa era apenas uma intenção carinhosa. Eu queria muito viajar pra lá, mas ouvia aquela frase como "nós gostamos muito daquele país e gostaríamos de compartilhar com você". E isso já me dava um gostinho bom, de saudade daquilo que eu não conhecia. Pra mim, conhecer outro país sempre foi uma situação distante, assim como ganhar na loteria, por exemplo. Depois que terminei a faculdade, há dois anos, surgiu-me a idéia de poupar um trocado para quem sabe conhecer um lugar bem bacana. No próximo dia 13, deixo as minhas raízes daqui para absorver algumas raízes de lá. Durante o planejamento da viagem, Portugal quase fica de fora. Me conformei, mas no coração bateu uma sensação de traição. Poucos dias depois, consegui (poucos, mas válidos!) dias em Lisboa. Se meu avô ainda estivesse vivo, ficaria orgulhoso novamente. Minha avó ficou por ele.
As raízes nos fazem lembrar quem somos.

7 comentários:

Por Ricardo Cazarino disse...

Olá moça!
Lindo texto...raízes familiares sempre geram belas histórias. Um resgate da origem de nossas próprias histórias...e quando se trata de avós, os caminhos percorridos por eles se tornam uma volta ao passado...boa viagem, bom frio e explore esse mundo europeu...Hasta la vista!Bjs

Yara Verônica Ferreira disse...

uau... amiga querida, sempre curto muito vc pessoinha especial e quando leio seus textos sempre polvilhados de emoções, tenho ainda mais certeza que não cruzou meu caminho por acaso! Bella Espãna que te riciba muy bien como merece!
besitos y muy buena viaje

Iêda disse...

Que texto lindo!!
E delícia fazer essa super viagem, ainda mais quando é bem planejada!!

Boa viagem! Aproveita bastante! E manda notícias por aqui, e-mail, msn etc, se der! (nem que seja uma frase!!!)

Beijões

grace disse...

Nica!!!!

To contando os dias pra vcs chegarem!
Lindo o texto!

Bjus Gigantes

Mara Pusch disse...

Tem selo lá no blog pra você! bjo

Iêda disse...

Eny!!!
E ai, como está esse passeio?
Já estamos com saudades! hehehe

Tem selo de presente para vc lá no Vida Bailarina! beijão

Nada a declarar disse...

sEU texto é muito bem escrito...lembrei, em alguns instantes de algumas historias minhas mesmo. Os avós, por vezes, nos trazem uma significancia maior ate mesmo do que nossos pais...mto bom o texto, parabens