segunda-feira, 9 de março de 2009

sem título


planejei contar tudo. explicar o que vi, o que senti. dizer quais são os significados. o que há de bom. todos os dias a saudade me veem. faz-me lembrar. mudou. mudaram. mudarão. deixei um pouco de mim e carrego o lá. trouxe algo que era meu. caminhar. movimentar o corpo. uma perna de cada vez. era preciso caminhar. o pouco para sobreviver, que é o muito para viver.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

aniversário


No dia 11 o Bocadinho de prosa completou um ano de vida. Antes de tirar férias, a ideia era fazer algo para comemorar esse aniversário. Fui viajar e não tive tempo para pensar no assunto. De qualquer forma, eu lembrei da data e fiquei satisfeita. O Bocadinho de prosa não é um sucesso, mas agradeço os poucos leitores que reservam alguns minutos para ler os meus textos e fazer comentários. Ele é um espaço muito especial para mim. É o meu cantinho. Nele escrevo e relato o que quiser. (Quando há), a pauta, a apuração, as fotos e a edição ficam por minha conta. Em 2006, criei o meu primeiro blog chamado Cronicando. Logo nas primeiras postagens alertei: “O mundo é grande demais”. Queria dizer que havia outras coisas que me chamariam a atenção. Um modo educado de dizer ao leitor, se é que existiria algum, de que eu não seria fiel na publicação de textos diários, semanais, mensais...E como podem imaginar, o blog teve vida curta. Publiquei três textos e o esqueci. O bocadinho surgiu num momento de vontade de experimentar. Sou perfeccionista e ele me ajudou a diminuir a dosagem de cobrança. Sempre que penso num texto, em seguida veem a censura. Resolvi acabar com isso e as palavras tomaram forma. Deixaram o ambiente imaginário para se concretizar aqui na web. Nos próximos dias, vou contar sobre o mochilão que fiz por algumas cidades da Europa. Eu queria ter conseguido escrever enquanto estava viajando, mas o tempo foi tão curto e não havia acesso à internet em todos os lugares que fiquei. Por isso, vou começar a escrever agora. Relembrar cada passo dessa jornada será uma maneira de me aproximar novamente de algo que deixou saudades. Aproveitando o assunto, compartilho uma foto com vocês: Plaza Mayor, en Madrid, España.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

raízes

Meu avô materno nasceu em Portugal, numa vila chamada Santa Leocádia, município de Tabuaço, pertencente ao distrito de Viseu. Chegou ao Brasil com 18 anos. Despediu-se dos pais. Nunca mais os encontrou. Teve três irmãos, um mora em São Paulo, o outro permanece em Viseu e a irmã mora na Suíça. Depois da partida, com exceção do irmão mais velho, meu avô só reencontrou o outro irmão uma vez, e a irmã, apenas por carta. A visita ao irmão que ainda mora em Viseu aconteceu em 1990. Eu tinha cinco anos e lembro-me de quando ele e a minha avó anunciaram que iriam viajar para a Europa. Até se aposentar, meu avô trabalhou como motorista e cobrador de ônibus da extinta CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), que deu lugar à SPTrans. Depois da aposentadoria, continuou trabalhando como taxista. Era europeu, mas não teve a oportunidade de conhecer as belezas do continente. Por isso, a viagem-presente, encheu-lhe de orgulho lusitano. Viajou pouco mais de um mês e, quando voltou ao Brasil, trouxe muita história, lembranças e mais saudade daqueles que ficaram. Minha avó também ficou encantada. Nascida no interior de São Paulo, foi criada num sítio entre galinhas, patos, horta e família grande. " Quando você crescer, vamos te levar para Portugal", dizia ela. A noção que eu tinha da Europa era de um lugar bonito e distante da minha casa. Eu sabia que aquela promessa era apenas uma intenção carinhosa. Eu queria muito viajar pra lá, mas ouvia aquela frase como "nós gostamos muito daquele país e gostaríamos de compartilhar com você". E isso já me dava um gostinho bom, de saudade daquilo que eu não conhecia. Pra mim, conhecer outro país sempre foi uma situação distante, assim como ganhar na loteria, por exemplo. Depois que terminei a faculdade, há dois anos, surgiu-me a idéia de poupar um trocado para quem sabe conhecer um lugar bem bacana. No próximo dia 13, deixo as minhas raízes daqui para absorver algumas raízes de lá. Durante o planejamento da viagem, Portugal quase fica de fora. Me conformei, mas no coração bateu uma sensação de traição. Poucos dias depois, consegui (poucos, mas válidos!) dias em Lisboa. Se meu avô ainda estivesse vivo, ficaria orgulhoso novamente. Minha avó ficou por ele.
As raízes nos fazem lembrar quem somos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

prêmio Dardos


Ganhei o prêmio Dardos da Iêda, que foi minha professora de faculdade e hoje minha amiga e blogueira do Vida Bailarina. Fiquei muito feliz pelo presente. Um reconhecimento bacana. Segundo Iêda, "eu gosto muito de ler seu blog, sempre tem dicas muiiito legais". Obrigada! O selo representa o reconhecimento dos valores que cada blogueiro tem. Sejam eles éticos, literários, pessoais, profissionais, etc. Mas, para recebê-lo é preciso cumprir regras:


1- Exibir a imagem do selo;

2-Linkar o blog pelo qual você recebeu a indicação;

3-Escolher 15 outros blogs a quem entregar o Prêmio Dardos;

4-Avisar todos eles.


Logo mais divulgo a lista dos 15 que vou premiar.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

brasil brasileiro


Brasil, meu Brasil brasileiro,
meu mulato inzoneiro
vou cantar-te nos meus versos
o Brasil samba que dá
bamboleio que faz gingar
o Brasil do meu amor,
terra de nosso senhor
Brasil pra mim, Brasil pra mim

ah! abre a cortina do passado,
tira a mãe preta do serrado,
bota o rei congo no congado
Brasil pra mim, Brasil pra mim
deixa cantar de novo o trovador,
América olha a luz da lua
quando é canção do meu amor
quero ver essa dona caminhando
pelos salões arrastando o seu vestido rendado
Brasil pra mim, Brasil pra mim

Brasil terra boa e gostosa
da morena sestrosa
e de olhares indiscretos
o Brasil samba que dá ...

ah! esse coqueiro que dá coco
onde amarro a minha rede
nas noites claras de luar
Brasil pra mim, Brasil pra mim
ah! ouve essas fontes murmurantes
onde eu mato a minha sede
e onde a lua vem brincar
ah! esse Brasil lindo e trigueiro
é o meu Brasil, brasileiro.
terra de samba e de pandeiro
Brasil pra mim, Brasil pra mim


Inspirada na famosa composição de Ary Barroso, a exposição Brasil Brasileiro - Nossa Terra, Nossa Gente, está em cartaz até o dia 4 de janeiro de 2009, no Centro Cultural Banco do Brasil, o CCBB. A apresentação comemora os 200 anos da chegada da família real e da fundação do Banco do Brasil. O objetivo de Brasil Brasileiro, que ocupa o térreo, o subsolo e mais três andares do edifício na região central de São Paulo, é mostrar "a cara" do nosso país, por meio da pintura, nesses dois últimos séculos. Logo na entrada há uma instalação do artista Nelson Leirner (foto acima). No subsolo está o tema nossa lutas, com telas que representam a opressão, a fome e a miséria dos nordestinos, a greve dos operários do ABC paulista e a ditadura militar. Nesse mesmo espaço, existe uma sala intitulada laboratório de criatividade, com canetinhas, lápis de cor, giz de cera e papel. É o lugar para sentar-se e expressar o que quiser sobre o Brasil. As cinco paredes da sala já estão completas, o pessoal soltou o verbo, literalmente. Há poucas telas expostas no primeiro andar. "Os trabalhos desse andar vieram de Recife e não puderam ficar numa sala com ar condicionado, porque a tinta não reagiu bem", explicou uma funcionária do local. Assim, o primeiro e o segundo andar se completam, no que se refere ao subtítulo da exposição. Nossa terra, nossa gente, no primeiro andar, retrata o maracatu, os objetos de uma casa recifense e um engenho, igual ao descrito e desenhado por Gilberto Freyre, em Casa Grande e Senzala. A maioria das pinturas é do pernambucano Cícero Dias.
As rosas não falam, simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti. As palavras do mestre Cartola foram colocadas ao lado de uma parede com telas de vasos com flores, com leituras de artistas diversos. Apenas uma, também de Cícero Dias, mostrava outro ângulo do tema, com mulheres colhendo flores. Frutas e animais, o amor, o trabalho em família e uma série de retratos, de casamento, da mãe amamentando o filho, da senhora segurando uma cesta com cacau e de outra senhora sentada numa cadeira, da cozinha, provavelmente, com uma fazenda ao fundo. Há outros retratos que exibem a vida do caipira, do pescador e do homem do sul.
Outra parede, dedicada ao futebol, conta com as palavras da música de Samuel Rosa e Nando Reis. Quem não sonhou ser um jogador de futebol?. Quadros de torcidas organizadas, da partida em si e até mesmo um de Portinari, em que um garoto segura a bola com o pé, com semblante zangado, enquanto outros dois olham para ele, deixando a entender que trata-se do "a bola é minha e ninguém vai mais brincar", atitude corriqueira nas peladas entre crianças e adolescentes. Para terminar esse andar, comento a tela que mais gostei. Chama-se Churrasco no quintal, de Sergio Vidal, feita em 2007. São tantos detalhes que parece uma fotografia. Mar, namoro escondido, pipas, fusca azul, crianças comendo fruta do pé, gato, cachorro, galinha, pintinhos, homens tocando samba, mulheres arrumando a comida e a cerveja. Esses são os principais elementos de Churrasco no quintal, que remete a um desses churrascos que fazemos em nossa casa, com uma diferença peculiar. O churrasco é só de peixe! No último andar, o terceiro, nossos sonhos fala da religiosidade, com releituras de Adão e Eva, da Santa Ceia, da Virgem Maria e das procissões. Além disso, fala-se também de festas, brincadeiras e hábitos, como soltar balão, empinar pipa, pular o carnaval, dançar, ir à casa de prostituição, cantiga de roda, parque de diversões e circo. Visitar essa exposição é uma das maneiras de reafirmar a nossa identidade cultural e refletir sobre a produção dos nossos artistas.
Serviço
O quê: a exposição Brasil Brasileiro
Onde: no CCBB (rua Álvares Penteado, 112, próximio ás estações Sé e São Bento do metrô)
Quando: até 4/01/09, de terça a domingo, das 10h às 20h
Quanto: gratuito
Contato: (11) 3113-3649

oras bolas


Paulo tem pouco mais de 20 anos. Já trabalhou como operador de telemarketing, mas não era apaixonado pela função, a realizava para manter o custo dos estudos. Dramaturgia, consciência corporal, interpretação. O jovem com jeito de menino estudou teatro. Sorri mostrando todos os dentes e garante. "É meu sonho". Conhecer o personagem, mergulhar em suas emoções e dar o melhor de si. Durante a semana, incansáveis horas de treino, para aos sábados e domingos, levar fantasia e magia para o universo infantil do espetáculo Oras Bolas, em cartaz até o dia 21 de dezembro no Teatro da USP, o Tusp. Dança, música, arte cênica, brincadeiras e animações são encenadas pelos seis atores na primeira montagem da Cia Noz de Teatro, Dança e Animação, sob o mote bolas. Bolas de vários tamanhos, cores e materiais. Bolas que voam, que pulam, que ficam na cabeça, que são passadas de mãos em mãos num jogo que exige concentração e habilidade. Os personagens pouco falam. A sonoplastia, o movimento dos corpos e as expressões dos atores dão o tom em Oras Bolas. As crianças (e os adultos!) se deixam levar, vão junto com as bolas e com os outros objetos geométricos, como o Menino Quadradinho e a Menina Triângulo. Explorando o recurso da luz negra, o Menino Quadradinho se transforma num robô e os outros integrantes, que manipulam bolas e bolinhas, criam um outro personagem, que mexe pernas e olhos. Um dos momentos mais bonitos do espetáculo. A confecção do cenário e o figurino foram produzidos pelo elenco, que utilizou armação de guarda-chuva, garrafas pet, isopor, entre outros. Além disso, aprenderam a costurar as próprias roupas. Com uma infância cada vez mais veloz, estimulada pela sexualidade, violência e informação guela abaixo, Oras Bolas é uma opção que lembra pula corda, bola de gude e bolo de vó.

a formatura

No último sábado, dia 6, aconteceu a formatura dos futuros contadores de história, incluindo essa pessoa que aqui escreve. A minha idéia era escrever um texto, um conto ou talvez um poema sobre esse acontecimento tão importante. Mas, meu querido amigo Ricardo, já o fez. Com sensibilidade e riqueza de detalhes, A Arte de Contar História. Confira!