eu tenho orgulho de mim. e não é autoelogio ou coisa parecida. esse sentimento existe porque a memória afetiva, visual e sensorial é a minha verdadeira companhia nesta vida. ela me faz lembrar quem eu sou. o motivo de gostar e de não gostar. ela me aproxima de mim mesma.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
única certeza
Sempre gostei (ou precisei) dormir. E os fatos comprovam a teoria. Aos 8 anos ia à escola pela manhã e meu pai me chamava pouco antes de levar a minha mãe ao trabalho. A intenção, que raramente se concretizava, era me encontrar arrumada, com uniforme, cabelo penteado, rosto lavado e dentes limpos. Havia duas saídas. Primeira, levantava assim que ele me chamava, trocava a roupa e voltava a dormir ou não saia da cama até ouvir o barulho da chave abrindo a porta e, de sobressalto, procurava a roupa.
"Não acredito!", dizia senhor José
Chegava atrasada e dormindo em pé.
Chegava atrasada e dormindo em pé.
A segunda prova aconteceu depois. O zelador do prédio querendo falar comigo pelo interfone. Sem resposta, subiu no 2º andar e tocou a campainha 30 vezes - contagem do homem -, e nada. Bateu na porta mais algumas vezes. Ainda bem que parou por aí e acordei. Se contasse o causo para um médico ou psicanalista, talvez diriam. No caso do doutor, "você pode ter algum distúrbio do sono". Já o outro, "senta aí no divã. Você não quer encarar a realidade. Esse sono profundo é uma fuga". Talvez seja tudo isso e muito mais. Mas eu prefiro ficar com o seguinte: gosto mesmo da coisa e acabou.
Existe uma contradição nessa história que ainda não contei a vocês. Não faço parte da categoria dos dorminhocos anônimos que depois de um minuto em frente à TV, dormem. O que não é difícil. O meu sono demora a dar as caras. Lembro ainda quando criança que minha avó falou para dormir com um palito de dente espetado numa maça, que deveria ficar ao lado da cama. Naquela noite, dormi mais rápido. O poder de acreditar em alguma coisa!
Aproveito para citar outras situações contrangedoras que envolvem este assunto. Dormir na aula de sociologia e ouvir a professora não final do ano, "você não gosta das minhas aulas". No ônibus, dormir no ombro de uma passageira-dormindo. Ainda no ônibus, sonhar que um urso vai te atacar e dar um pulo. Perder "o ponto". Babar na própria roupa. Bom, acho que já deu para entender.
Nos últimos meses, além de dormir servir como o momento de descanso do meu dia, também é divertido. Os sonhos sem pé-nem-cabeça são um dos motivos. Depois porque confundo sonho com realidade (isso parece clichê, mas não é. Já explico). Por exemplo, estou sonhando qualquer coisa e o relógio toca. O precisar levantar passa a ser vivido no sonho. Nele, já levantei, tomei banho e estou no trabalho. E até resolvendo problemas. Que inconsciente eficiente. Vejam só! Quando percebo que ainda estou deitada, fico desesperada. Saio correndo. Se tudo dá certo, eu penso "é bom ter algum tipo de alucinação na vida. Nem que seja dormindo". Ficar refém de seu próprio corpo, pois não há nada para fazer. No máximo, "não acredito!"
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
visita
disseram-me que existe uma menina dentro de mim. ela anda com os pés descalços, usa vestido florido e seu cabelo segue o ritmo do vento.
reflexão
no poço, onde as águas profundas se espalham, nascem diálogos. angústias, perguntas e respostas sobem à superfície. fazem-me companhia num dia qualquer.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
sentido
o sentido de viver está nas pessoas que amamos, nos momentos felizes, nas sensações que jamais deixam a nossa memória e na vida que flui na sua mistura de profundidade e beleza.
poema
num jogo voraz, a mente é coberta de pensamentos. o corpo e a alma se entregam às sensações. que vem. que vão. a escrita, que nem sempre acontece em forma de poema, torna-se a porta, o caminho. o que era abstrato e incompreensível ganha forma, textura, sabor e cheiro. é um processo de libertação, de entrega e partilha. a inspiração é quando tudo rasga o peito, insiste em sair. voar por aí.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
frenética
minha visão medíocre da vida insiste em buscar a certeza. o caminho escrito num papel charmoso com descrições de um seguro felicidade, seguro opção correta, parcelado em 12 vezes sem juros, ou qualquer coisa do gênero. depoimentos. leitura de histórias que escondem pistas e segredos de como fazer as atitudes e escolhas valerem a pena. isso serve para quê mesmo? essa pergunta não sossega. deixo, aos poucos, um gesso pesado envolver o meu corpo. tento me livrar dessa massa, e o movimento me causa dores de cabeça. queria saber com quem aprendi que dois mais dois são quatro. e não cinco, dez, entre muitos outros.
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