quarta-feira, 10 de junho de 2009

Livro, Leve e Solto

Rachel Mejlachowicz nasceu em Brasília. Advogada atuante, quando criança acompanhava a mãe em visitas a ongs, associações e bazares. Cresceu próxima a outra realidade e aprendeu o quanto o mundo é ambíguo. Há o sol e a lua. O preto e branco e o colorido. A dor e a alegria. Riqueza e pobreza. Adulta, sentiu vontade de continuar ajudando pessoas que não percorreram o mesmo caminho que o seu. Conheceu Maria Fernanda Paes de Barros, arquiteta, e juntas criaram, em agosto de 2008, o projeto Livro, Leve e Solto. "O objetivo é estimular crianças que moram em abrigos a ler, estudar e descobrir o mundo dar artes", explica Rachel. Esse desejo se concretiza quando espaços de leitura são construídos. E neles, por meio da contação de história, entram meninos e meninas de contos de fadas, animais, e um universo rico em fantasia, imaginação e criatividade. Todos os lares são mantidos pela Associação Maria Helen Drexel, uma entidade sem fins lucrativos, criada em 1973. O Livro, Leve e Solto já conseuiu espaço em três dos oito lares da associação. O último foi inaugurado no dia 30 de maio, onde tive a oportunidade de contar histórias para doze crianças. A famosa A festa no céu, de Câmara Cascudo (lembrei que tenho um disco com a música sobre essa história), e Os passarinhos, que colhi como sugestão no livro Ofício do Contador de História, de Gislayne Avelar Matos e Inno Sorsy, foram as histórias que levei aos pequenos.
- Eu gosto de coelho
- Eu gosto de gato
- Gato é mais bonito, disseram, após ouvirem a primeira história.
- Vamos fazer chover aqui na sala?, perguntei.
Mostrei uma técnica de percussão corporal, uma deliciosa brincadeira, e todos acompanharam. E não é que fizemos chover!
- Gosto do coelho porque o rabo dele é uma bolinha, explicou um dos garotos, que desenhou o bichinho pra mim.
Patricia, turismóloga e malabarista, mostrou o valor do equilíbrio e da concentração. Sem deixar a peteca cair, ou melhor, as bolinhas e os bastões, agitou e desafiou as crianças.

terça-feira, 9 de junho de 2009

palavras

queria mergulhar nas palavras. assim como os peixes do fundo do oceano, que nadam e vivem a procura de alimento ou sobrevivência, algo dentro de mim diz que preciso inspirar letras e significados. um mergulho intenso, que me leve a conhecer o formato, o gosto e o cheiro daquilo que nomeia o que sentimentos, pensamos e fazemos. ser possuída, degustada por elas. me falta coragem, me sobra insegurança. eu me coloco à disposição de vocês, doces e tenebrosas palavras. me transportem para o seu universo. o coração e a mente numa disputa infiel de espaço nesta vida. ele quer a expressão. ela a certeza, a exatidão. tudo é ilusão, mas fico com a primeira, pois assim consigo sentir. o que me dói, o que me atrai, o que me dá medo. preenche e esvazia. só quero caminhar por aqui. e que o amor seja a minha razão.

sangue

você só vai ali, eu sei. nunca te disse, mas gosto do seu jeito. entre diferenças e intrigas planejadas, a gente descobre o quanto se gosta. manias. palavras. histórias que ficam. estampadas em cada parede. é bom te admirar. olhar para você e enchergar algo meu. algo nosso. de família. de trajetória. mas, você só vai ali. é uma ponte atravessada. outro dia tentei lembrar da primeira memória que tenho de você. uma fotografia na sala.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

cores

Hoje este espaço ganha uma nova e, ao mesmo tempo, já conhecida, identidade visual. Estou falando do jogo de lápis de cor aí embaixo. Gosto de cores e não tenho preconceito com nenhuma. Claro que há uma preferida, neste caso, o vermelho. Talvez por ser a cor que represente o afeto, o amor. Ou talvez por qualquer outro motivo que eu desconheça. Lápis de cor, arco-íris, guache, giz de cera, são coisas fascinantes. Além, é claro, das cores da natureza e das frutas. Recebi um e-mail de uma querida amiga, a Fernanda. "O colorido". Esse foi o título que ela escolheu para a mensagem. E nela, uma fotografia de lápis de cor com uma frase de Beethoven. "Não existe regra que não possa ser quebrada na busca da beleza". Não me atrevo a refletir sobre estas palavras aqui neste espaço. Penso que já existe muita opinião e frases jogadas sobre os mais diversos assuntos. A ideia de Beethoven está aí para quem quiser se aventurar. Boa viagem!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

a irônia se faz presente quando há demasiado azedo e cru, e ausência de tempero e essência.

segunda-feira, 9 de março de 2009

sem título


planejei contar tudo. explicar o que vi, o que senti. dizer quais são os significados. o que há de bom. todos os dias a saudade me veem. faz-me lembrar. mudou. mudaram. mudarão. deixei um pouco de mim e carrego o lá. trouxe algo que era meu. caminhar. movimentar o corpo. uma perna de cada vez. era preciso caminhar. o pouco para sobreviver, que é o muito para viver.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

aniversário


No dia 11 o Bocadinho de prosa completou um ano de vida. Antes de tirar férias, a ideia era fazer algo para comemorar esse aniversário. Fui viajar e não tive tempo para pensar no assunto. De qualquer forma, eu lembrei da data e fiquei satisfeita. O Bocadinho de prosa não é um sucesso, mas agradeço os poucos leitores que reservam alguns minutos para ler os meus textos e fazer comentários. Ele é um espaço muito especial para mim. É o meu cantinho. Nele escrevo e relato o que quiser. (Quando há), a pauta, a apuração, as fotos e a edição ficam por minha conta. Em 2006, criei o meu primeiro blog chamado Cronicando. Logo nas primeiras postagens alertei: “O mundo é grande demais”. Queria dizer que havia outras coisas que me chamariam a atenção. Um modo educado de dizer ao leitor, se é que existiria algum, de que eu não seria fiel na publicação de textos diários, semanais, mensais...E como podem imaginar, o blog teve vida curta. Publiquei três textos e o esqueci. O bocadinho surgiu num momento de vontade de experimentar. Sou perfeccionista e ele me ajudou a diminuir a dosagem de cobrança. Sempre que penso num texto, em seguida veem a censura. Resolvi acabar com isso e as palavras tomaram forma. Deixaram o ambiente imaginário para se concretizar aqui na web. Nos próximos dias, vou contar sobre o mochilão que fiz por algumas cidades da Europa. Eu queria ter conseguido escrever enquanto estava viajando, mas o tempo foi tão curto e não havia acesso à internet em todos os lugares que fiquei. Por isso, vou começar a escrever agora. Relembrar cada passo dessa jornada será uma maneira de me aproximar novamente de algo que deixou saudades. Aproveitando o assunto, compartilho uma foto com vocês: Plaza Mayor, en Madrid, España.